Terça-feira, 22 de Novembro de 2022
Au bonheur des dames 549

Chuva e outras ocorrências 

mcr, 22-11-22

 

ao acabar de datar o folhetim reparo que existeuma capicuao que significaria um dia de sorte. À cautela joguei no euro-milhões mesmo se as leis da estatística joguem todas contra mim. Nisto acabo por ser tão português como o resto dos meus compatriotas que acreditam sempre num bafejo da sorte mesmo à ultima da hora. De todo o modo, também é verdade que quem não se habilita não ganha...

Também não vale pedir a ajuda divina pois sou um réprobo comprovado desde a minha longínqua juventude. Isto de ter andado, ainda que brevemente, de má vontade e com expulsões finais, durante dois anos , em colégios com padres a chatear, bastou-me para perder a escassa fé e a pouquíssima vontade de ir à missa. 

Todavia, encaro o mau tempo que faz com evangélica paciência. Sei que a chuva é precisa e de que maneira! E duvido que o que já caiu tenha composto convenientemente as barragens.

A CG  queixa-se do mau tempo, dos dias escuros, do mar que se não avista, sei lá do que mais.

Para ela, o mundo seria bem mais agradável se cumprisse o  dito (também ele muito português) de “sol na eira e chuva no nabal “. Conheço gente  que propões chuva à noite, se possível entre a meia noite e as seis da manhã. Dava para lavar as ruas e regar os jardins enquanto os enérgicos cidadãos dormiam o sono dos (in)justos.  Sempre que chego à esplanada (na parte protegida, claro) oiço criaturas a protestar contra o tempo e a afirmar convictamente que já chove há imenso tempo. 

Só lhes falta dizer que estamos prestes a criar guelras! 

Isto que vou ouvindo passa-se num país com um clima, apesar de tudo invejável. Imgine-se por momentos que isto era como a Ucrânia onde já neva. Imagine-se o que será viver em casas com vidros estilhaçados, sem água corrente e sem electricidade. É isto o dia a dia de pelo menos dez milhões de pessoas, tantas quanto a população portuguesa.

Um país onde 30 ou 40% das instalações de fornecimento eléctrico estão destruídas graças aos misseis russos, aos drones iranianos que chovem por uma pá velha. A “operação especial” que ia libertar as populações oprimidas pelo infrene regime neo-nazi, opressor da língua russa e da religião ortodoxa, traduz-se, cada vez mais superlativamente, numa política de destruição absoluta, de terra queimada, de genocídio, de crimes de guerra. A coisa é de tal modo que até o nóvel Secretário Geral do PCP já usou, e por duas vezes, a palavra “invasão”! Pelos vistos, “he saw the Light” como se canta num spiritual. Demorou quase nove meses a parir esta simples descrição mas antes tarde do que nunca. O camarada Jerónimo agora entregue a outras e mais simples tarefas deve estar a revolver-se. E a escassa rapaziada “russista” lá tem de meter a viola (ou a balalaika) no saco. Que maçada. 

E a chuva a dar-lhe forte e feio.... Oh que tempos difíceis!. Se Portugal não ganha ao Gana estamos feitos ao bife. E o Sr Presidente lá regressa de monco caído. (Só por isso atrevo-me a augurar uma impatriótica derrota!).

Entretanto com  chuva ou sem ela, os preços vão subindo com uma constância exemplar. O Professor Doutor Teixeira Ribeiro, uma das merecidas glórias de Coimbra, dizia que “a inflação crescia como nódoa de azeite num pano” Nunca encontrei melhor expressão para descrever este fenómeno. 

Eu confesso que, perante esta situação, emudeço absolutamente. Não é por humildade mas tão só por ignorância. Todavia, o que mais me preocupa é que enquanto confesso a a minha total incompetência, assisto a uma miríade de luminárias que sabem tudo, propõem tudo e clamam por medidas que, à primeira vista, parecem pouco eficazes ou aceleradoras da inflação. Assistir aos debates na AR e medir a propostas sugeridas atormenta o mais pintado. Com tantos sábios a nau perde-se e com ela a cara e a tripulação. Tremo só de pensar no que seria se estivéssemos fora da Europa, das suas instituições como é repetidamente exigido por uma minoria ruidosa e ignorante. 

O que nos vale é o Qatar e o futebol. E o Cristiano Ronaldo... E a Senhora de Fátima... E a “santinha da Ladeira”, já agora, (nunca se sabe se ela não será providencial)... 

De todo o modo antes isto que estar na Ucrânia.

(o título é uma homenagem a um dos grandes livros de Somerset Maugham que se intitula "Chuva e outras novelas" A peça que dá título ao livro é uma das melhores novlas que alguma vez li. Porventura a melhor!

 

 

 

 



publicado por d'oliveira às 19:05
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